Archive for maio, 2010

Divisível por 3.

Antes de começar, deixe-me dar alguns avisos.
Não, isso não é um resumo para você estudar.
Não tem nada daqueles manuais que teu professor quer que você leia.
Se é isso que está procurando, recomendo que clique aqui.
Este post não passa de um apanhado de coisas que penso com base em coisas que li.

Vamos lá.
O Poder.
Deveria ser divisível por 200 milhões, mas não é.
O ser humano tem medo da auto-gestão.
Prefere que decidam por ele.
Tentou entregar o tal poder nas mãos mais fortes que encontrou.
Não funcionou.
Despotismo, tiranias e essas coisas.
Criou, então, um sistema simples onde o exercício do poder se dá em 3 esferas distintas, harmônicas e independentes.
Cada uma com a sua função pré-determinada.
Isso foi na primeira metade do século XVIII.
O sujeito que parou para pensar no assunto se chamava Charles-Louis de Secondat, o Barão de Montesquieu.
Escreveu um texto super-didático intitulado ‘L’Esprit des lois’, ou, em bom português, ‘O Espírito das Leis’.
Este livro é a base da política contemporânea.
Ou, pelo menos, deveria ser.
A primeira lição é a de que as leis não decorrem da vontade do legislador e sim da realidade social.
Opa, leram isso, senhores legisladores?
Não, não leram, né?…
Mais uma: Leis inúteis enfraquecem as leis necessárias.
Prefiro não comentar esse ponto.
Outra coisa importante, separa-se os poderes para evitar a sobreposição de funções.
Executivo, Legislativo, Judiciário.
Executar, legislar, julgar.
Essa coisa de freios e contra-pesos não passa de remédio contra os efeitos colaterais do poder.
Se o ser humano não quisesse se apropriar do dinheiro dos seus pares cidadãos enquanto administra a vaquinha que fazemos, também conhecida como orçamento público, não teríamos porque instituir sistemas de controle.
Então um sistema de controle é necessário?
Sim. Infelizmente.
E que tal um poder vigiando o outro como queria Montesquieu?
“Só o poder freia o poder”
Bobagem.
Hoje a interpretação da ideia do Barão pode ser modificada.
Em tempos de internet 2.0 essa frase deve ser lida como verdadeira libertação do cidadão.
O poder de 200 milhões freando o poder daqueles poucos eleitos [ou não] para a gestão do que é de todos.
Cai o tirano moderno que é personificado em cada um dos mandatários do poder público.
Só assim, por exemplo, um órgão hoje inútil como uma câmara de vereadores poderá se despir do papel ridículo de homologar as decisões do executivo municipal ou, caso seja de maioria oposicionista, ‘vigiar’ os atos do prefeito.
Poderia passar a legislar dentro de sua competência.
Enfim, essa coisa de um poder vigiando o outro é puro desvio da função.
Não quero um legislativo que julgue nem um judiciário que execute.
Não pago eles para isso.

Música para ouvir música para ouvir…

Buenas, esse é um post inteiramente inspirado na minha irmã.
Primeiro porque foi ela quem me deu o ‘Noite passada um disco salvou a minha vida’.
Segundo porque só tive a brilhante ideia de escrever sobre o ‘meu’ disco quando li o post dela.

Tenho uma séria dificuldade em escolher uma lista de ‘10 melhores’.
3 melhores então, como o Rob de ‘Alta Fidelidade’ é coisa que me tira o sono.
Como escolher, então, 1 único disco?
Pensei em me enganar e escolher um disco para cada Rui.
Sei que não seria justo, mas pouparia um tempão.
Comecei então a voltar no tempo.
E a conclusão foi:
Eu não me permitiria ouvir quase nada do que eu ouço hoje se não fosse uma certa coletânea com 4 bandas curitibocas.
Alface.

Alface

Lançado pelo selo Banguela [Miranda + Titãs] da Warner em março de 1995 esse disco abriu meu horizonte musical.
Quem me conhece desde aquela época, deve imaginar que comprei o cd por causa do Boi Mamão e acabei ganhando de brinde Resist Control, Woyzeck e Magog.
Tá. Nunca curti Magog.
Mas Resist Control e Woyzeck eram tão bons quanto o Boi.
Cada um do seu jeito.
Bem, vamos aos fatos.
Eu tinha uma fita-demo e um compacto do Boi. [Nossa... isso é antigo. Pré-histórico. Mas hoje até a noção de disco é antiga, né?]
E eu ia em todos os ensaios deles, na casa do Renê que na época me dava aulas de bateria e hoje tem uma pousada em SC.
Na real, eu era o típico fã.
O disco? Ah. Eu estava em frente à loja-que-não-lembro-o-nome-mas-que-tinha-tudo-de-underground, ali na 13 de maio, alguns minutos antes de as portas abrirem no primeiro dia de vendas.
Lembro que era uma manhã ensolarada [mas talvez isso seja uma construção da minha memória].
Comprei e fiquei sentado no meio-fio lendo [degustando] o encarte.
E ali estava, nas minha mãos, a insanidade boi-mamônica, a fúria do Resist, o balanço do Woyzeck e o Magog que me soava muito simples e destoava de todas aquelas novidades.
Era muito criativo, talvez até em excesso.
Fico me perguntando quando tudo aquilo se perdeu.
Saudosismos à parte, aquele momento foi especial para a música curitibana.
Em 15 anos não vi/ouvi nada realmente novo aqui na terra dos pinheirais.
Me desculpem as bandas atuais, mas são apenas uma sombra do que foi a primeira metade dos anos 90.
Tínhamos música de altíssima qualidade para todos os gostos.

Agora, usando uma vantagem das modernidades que o livro não tem – quer ouvir as 4 faixas do Boi?
Download grátis aqui.
Os outros 3 não achei.
Se achar, atualizo…

Questionar até o fim.

Devidamente protocolado e deferido o tema do meu TCC.
‘Questionando a noção jurídica de verdade com base na filosofia de Nietzsche.’
A ideia é concluir o curso de Direito tentando mostrar que, apesar da fachada sólida e robusta, as fundações deste edifício foram erguidas no estilo Palace II.
Por que Nietzsche?
Simples, porque ele questionou a verdade e alguns outros conceitos fundamentais ao Direito ocidental como ninguém.
O judiciário não irá nunca alcançar a verdade de um caso.
Alcança sim a certeza que nada mais é que escolha.
Ter certeza é decidir entre duas ou mais opções.
A ‘verdade’ é apenas uma perspectiva.
Aí vem a pergunta: Mas como viveríamos em sociedade sem a ‘verdade’?
Não viveríamos.
E é isso que Nietzsche chama de ‘vontade de enganação’.
Nós optamos pela ilusão de que existe uma verdade que está lá, pronta para ser tocada em seu altar.
E, muito provavelmente não existiríamos sem essa ilusão.

Em junho entrego o pré-projeto.
Aí falo mais.

*Para ler ouvindo Recado Pelo Morto – Woyzeck.