Archive for abril, 2010

A Reitoria.

Reitoria

Rua XV de Novembro.
Rua Dr. Faivre.
Rua Amintas de Barros.
Rua General Carneiro.

4 ruas que cercam um quarteirão especial.
Uma Curitiba diferente.
Por ali se vê todo tipo de gente.
Pessoas tão diferentes entre si quanto o Digão Duarte e o Prof. Maliska passam pela frente da Siciliana [que já foi Mais Quindins] enquanto tomo meu café.
Tão diferentes.
Diferentes?
De terno impecável ou no bom e velho jeans surrado, as pessoas que gravitam em torno da Reitoria tem algo em comum.
Tá.
Não vou saber explicar o que é esse algo em comum, mas é bom.
O ambiente ali é bom.
Criatividade.
Atividade.
Pensar.
Fazer.
Enfim, fui feliz na Reitoria durante minha estadia por lá entre 99 e 2001. [Ah... Aquele primeiro dia de aula.]
Talvez eu volte.
Um dia.
Para concluir minha História por lá.

Mnemósine ou ‘…recordar é viver.’

Fora do tempo

Ia escrever mais algumas linhas sobre meu passado adolescente.
Alguém aí interessado?
Não?
É. Imaginei.
Então, me ocorreu outra ideia.
90% das visitas chegam aqui procurando no Google a palavra ‘memória’.
Resolvi privilegiar o povo que parece vir aqui atrás do que, ou melhor, de como lembrar.
Ao invés de eu escrever, uso as palavras de quem entende do assunto.
Um parágrafo que fala muito do que penso sobre memória, tempo, passado, escrever, fotografar… retirado do artigo “O lugar mítico da memória” de Cláudia Cerqueira do Rosário, publicado em 2002 na revista eletrônica Morpheus.
Leiam o texto inteiro no site.
Vale cada minuto.
E salve, Mnemósine!
Mãe das Musas.
A que dá vida ao que não é mais.
Ou ainda é?

Quando pensamos em “passado”, temos a tendência a imaginá-lo como algo pertencente a um tempo longínqüo, datado em cronologias distantes. O passado se parece com a Grécia Clássica, com o Império Romano, com o Mundo Medieval, com as inverossímeis pirâmides egípcias, com os vasos etruscos, com os cacos das civilizações perdidas. Confundimos ordinariamente o passado com o “não ser mais”. Com o arcaico, com o anacrônico, com o superado. Esquecemos – perigo supremo – que o final desta frase já é passado, que ao acabarmos de pronunciar a palavra “presente” ela não está mais em ato. Ao pensarmos o ser, tendemos a conjugá-lo no passado, no presente e no futuro. Pensamos no que foi, no que é e no que será. Esquecemos o gerúndio; o “sendo” que nos coloca diante da continuidade que relativiza estes lugares estanques de tempo, e faz com que sejamos, a rigor, forjados nesta sucessão incontável de instantes, minutos, horas, dias, anos, séculos e milênios nos quais se teceram a história coletiva da humanidade e mesmo nossos seres individuais. O que fomos está, pois, contido, conscientemente ou não, naquilo que somos agora.

15 anos de CBN Curitiba.

Lembro como se fosse ontem.
Noite de sexta para sábado.
Eu deitado no chão do meu quarto no sobrado do Cristo Rei, ouvindo a última hora da Estação Primeira FM 90.1
Jack Shadow apresentando.
Um clima pesado.
Naquela noite eu deveria ter ido ao aniversário de 15 anos da Angélica, uma vizinha, mas eu era chato o suficiente para inventar uma doença com febre e tudo só para não ter que colocar um terno.
Um adolescente chato que tinha feito 16 anos havia poucos dias.
Nota informativa para os mais novos, a Estação Primeira era a rádio rock de Curitiba.
Não uma rádio que toca pop-rock como essas de hoje.
Uma rádio com espírito anárquico e irreverente [no sentido de não prestar reverências].
Era um ícone.
Que evaporou no ar com as 12 badaladas do relógio.
Exatamente à meia-noite a carruagem virou abóbora.
Entrou no ar a CBN Curitiba.
Vocês não fazem ideia do tamanho da minha revolta com aquela coisa de “rádio que toca notícias”.
Por coincidência, a rádio ficava a umas 3 quadras da minha casa.
Eu e mais meia dúzia de amigos, num rompante de rebeldia, resolvemos pixar o muro da nova rádio para expressar nosso descontentamento.
O plano era o seguinte, saíamos da minha casa, lata de spray na mochila, passávamos pela frente e se não tivesse ninguém na rua, mãos à obra.
Eis que surge um imprevisto.
Tinha um vigilante no portão da rádio.
Quando vimos, simplesmente decidimos passar reto e virar à esquerda na esquina onde hoje tem o Extra e na época era o muro de um terreno baldio.
Por algum motivo que até hoje não entendi, o segurança saiu correndo de dentro da rádio, gritou algo como ’sai daqui, piazada!’ e deu dois tiros para cima.
Acredite. Dois tiros. Quase viramos notícia.
Corremos.
Muito.
Corta. Muda para 1999. Ainda no mesmo bairro.
Entrei na faculdade de História e lá conheci a Carol.
Entre outros aspectos que ela mudou na minha vida, ela ouvia CBN no carro.
Nessa época eu já era um viciado em informação, no prazer de ser o primeiro a saber.
De repente, a “rádio que toca notícias” me fez sentido.
Ouço muito desde então.
Faz parte do meu dia.
Tanto no rádio quanto no Twitter, é minha fonte de informações sobre as coisas da Terra dos Pinheirais.
Então é isso, parabéns à toda a equipe da CBN Curitiba no seu aniversário de 15 anos.

*Paa ler ouvindo Bad News From The Stars – Stereo Total.

Lapa-Pr

Gostei da Lapa.
Cidadezinha simpática.
50 e poucos quilômetros de Curitiba.
Ficamos na Pousada Salles.
Bom quarto, bom café da manhã.
No centro, um ritmo alucinantemente lento.
Parece que as coisas e as pessoas se mexem só para você perceber que depois desse breve movimento, tudo volta a ser como antes.
Um antes com mais de 100 anos.
Almoçamos no Espaço Único.
Comida para saborear com a calma do lugar.
Horas comendo, se possível.
Se eu recomendo o passeio?
Sim.
Para o casal, para a família e para quem quer se desligar desse mundo que corre tanto para chegar não sei onde.

Lapa-Pr

Lapa-Pr

Lapa-Pr

Lapa-Pr

Lapa-Pr

Lapa-Pr

Lapa-Pr

*Para ler ouvindo Juvenar – Karnak

Retorno?

Curitiba

Pois bem.
Voltando.
O blog velho já era.
Perdido em algum lugar da rede.
Talvez aquele Rui também já tenha morrido.
Faltava um enterro digno.
Um invasor, mesmo que não fosse o meu império o alvo.
Por aqui não teve muito que pilhar.
Queimou, matou e foi embora.
Então eis o novo.
Mais chato, mais crítico, mais intolerante que o antecessor.
Aguente quem puder.

*Para ler ouvindo A Man Walks Into A Bar – Jens Lekman